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Poxa, vocês não imaginam como é legal ouvir tantos elogios após um show tão emocionante e de tamanha importância para nós! E a gente estava esperando uma reação bem agressiva da galera! Hehehehehehe... Até ensaiamos desviar das garrafas enquanto tocávamos! Abrir o Deep Purple, uma das maiores bandas do mundo, que desde 1968 vem conquistando gerações de fãs de várias nacionalidades... É uma coisa maluca, indescritível e que nos deixa até sem palavras...
Na verdade, o Lagunna já abriu o Deep Purple em 2003 no Claro Hall (RJ) mas esses dois shows no Tom Brasil foram muito mais "surreais". Tanto que, no camarim, Roger Glover, Steve Morse e Don Airey nos elogiaram muito, falaram sobre cada um de nós no palco e gostaram muito de nossa performance. Isso é indescritível, a sensação de ouvir palavras tão motivadoras de grandes ícones do rock mundial.
Agradeço a todos que nos mandaram mensagens após o show (e foram muitas, que bom!) e que passam a acompanhar a banda. Aos que já acompanham o Lagunna desde sempre, o nosso muito obrigado, valeu pela força indescritível e vamos construindo essa história juntos!
Muito sucesso a todos,
Ivan Volpe
www.lagunna.com.br
http://ivanvolpe.blog.terra.com.br
Lagunnas com Steve Morse (acima) e com Roger Glover (abaixo)
(acima) Na ordem: Clarisse, Renatão, Don Airey, Nani, Gabriel, Bill e Eric
Fotos by Raul
Renato Zanuto é um "excelentíssíssimo" músico que desde o disco Laguna ao Vivo, nos empresta todo seu talento para rechear de melodias "tecladísticas", "pianísticas" e "Hammondianas" o nosso som. Amigo desde a época do colégio, o Renatão já tocou comigo e com o Léo em bandas anteriores, como a "Seven Boys", que até se apresentou no baile dos anos 60 do colégio Singular de Santo André, num Aramaçan lotado com mais de 3.000 pessoas. Pois é, desde o início do Lagunna (até antes do segundo N), o Renatão já é um parceiro, gravou os teclados do Intro em BH com a gente, tocou com Andreas Kisser e ainda acha tempo para nos acompanhar ao Tom Brasil na abertura do Deep Purple. Na verdade ele quase chorou com a notícia! Hehehehehe... Fã como ele... Bom, é isso. Aqui segue sua visão de como foi o "acontecimento". Espero que apreciem a leitura...
HAMMOND ATRAVESSA DÉCADAS E UNE GERAÇÕES - por Renato Zanuto
Dias 28 e 29 de dezembro, os ingleses do Deep Purple se apresentaram em São Paulo, no Tom Brasil Nações Unidas, tendo a abertura da banda paulista Lagunna que, para minha felicidade, me convidou a acompanhá-los no palco.
Considerados por muitos como criadores do heavy metal e do hard rock, junto com as bandas Led Zeppelin e Black Sabath, os “sessentões” do Deep Purple mostraram porque são lendas vivas e que ainda têm muito para mostrar.
Durante nossa passagem de som, chegou tranqüilamente ao palco, o atual tecladista do Deep Purple, Don Airey. Ele trabalhou com muitos ícones do rock como: Bruce Dickinson, Bryan May, Whitesnake, Jethro Tull, Black Sabbath e, só para citar um de seus marcos, compôs a introdução do clássico Mr. Crowley de Ozzy Osbourne.
Assim que toquei as primeiras notas do meu Hammond, Don Airey me chamou para conversar. Confesso que tremi um pouco, pela admiração e respeito que tenho por esse grande mestre, mas mesmo assim fui até ele, claro!
Com extrema simpatia e educação, perguntou meu nome e qual setup eu estava utilizando. Contei que estava com um Hammond XK-2 com uma Leslie 2101, e um sintetizador VA. Não satisfeito, ele quis ver de perto e ainda disse que assim que eu terminasse o sound check, era para eu dar uma olhada nos teclados que ele usaria no show. Continuando a passagem com o Lagunna e eu já não via a hora de continuar nossa conversa. Coisa de fã.
Em seguida, lá estava eu, diante do setup dos sonhos de muitos tecladistas. Entre diversas “jóias” destacavam-se um Hammond C3 de 1963, duas Leslies 184 cabinet e um Moog Voyager. O som que vinha daquela combinação, era realmente indescritível. O que mais me surpreendeu foi quando ele me convidou a tocar no C3, que o acompanha há mais de 20 anos e que estava cheio de marcas na madeira, resultado de muitos shows e viagens. Respirei fundo, pedi licença e toquei um trecho de Burn. Clima de camaradagem total. Conversamos e tocamos durante uns 30 minutos.
Quando perguntei o que ele achava de Jimmy Smith, ele respondeu emocionado “o maior musico que já vi tocando Hammond foi o Jimmy, embora o John Lord também seja impressionante.” Concordei plenamente e fiquei muito admirado com o elogio ao John Lord, pois já vi tantos músicos desmerecerem colegas e presenciar tamanha humildade me fez refletir.
Tivemos o privilégio de usar o PA e o Side Fill do Deep Purple. O resultado foi o melhor som de palco que já ouvi. A Leslie 2101 respondeu de forma precisa, e confirmou definitivamente ser a combinação perfeita para o Hammond.
Showtime. O Lagunna superou as expectativas. Encaramos de frente o exigente público e já na primeira música conseguimos impor uma presença de palco forte levantando as mais de 4.000 pessoas ao som de “Helter Skelter” dos Beatles. Tocamos também diversas composições próprias e o público foi muito receptivo com a enérgica performance do vocalista Ivan Volpe e com os precisos solos do guitarrista Nani Lima.
Após os shows, inevitavelmente, fomos tomar uma cerveja com Don Airey, Steve Morse e Roger Glover. Do backstage, eles assistiram às duas apresentações da banda e para euforia geral, elogiaram bastante o trabalho. Nesse natal não vou nem pedir presente pro Papai Noel!
Renato Zanuto é diretor musical, organista e pianista. Trabalhou com Andreas Kisser, Fernanda Fróes, Lagunna, além de seu trabalho instrumental Zanuto Experimental Group.
renatozanuto@hotmail.com
www.lagunna.com.br
www.hammond.com.br
Deep Purple é F*#@...
Noooooossaaaaa...
Chegamos ao Tom Brasil às 15:30h e descarregamos nosso equipa com a ajuda dos montadores. Enquanto isso, os roadies do Purple já começavam a preparar o palco para os caras. E em pouco tempo já estavam passando o som. Ficamos curtindo tudo de canto, vendo o profissionalismo e a eficiência dos britânicos.
E foi então, por volta das 18h, que conseguimos montar e passar o nosso som. Montamos os instrumentos em frente aos deles e o pessoal da Gabi Som foi muito simpático e legal. Na verdade o som ficou muito, muito bom mesmo, com uma qualidade impressionante, volume e monitoração perfeitos!
Correria pra lá e pra cá e ao fim da passagem descobrimos que não tínhamos camarim. Ficamos “guardados” no salão de eventos sem banheiro. Mas, “no problem, estamos abrindo o Purple, cara!”
Tudo estava ótimo mesmo assim! O Gabriel, produtor do Lagunna, conseguiu as cervejas, refris, águas, frutas, lanches... muito bacana! O horário passado pela casa para início era 21:30h. Rolou um estresse entre profissionais do som e a casa em relação a grana, horário... nem sei ao certo... O Vilsinho e o Pezão nos deram uma puta força nessa hora! Aliás, esses dois são parceiros de verdade desde os primórdios do lagunna! Hehehehehe...
E vocês sabem que já abrimos o Purple em 2003, né?! Pois é, e tivemos que arcar, sem reembolso, com passagens aéreas, hotel, ônibus, táxis e alimentação! Mas, desde aquela época: “no problem, estamos abrindo o Purple, cara!” Nem nos intrometemos nessas discussões financeiras dessa vez. E tudo deu certo. Valeu Vilsinho, valeu Pezão! Os dois operariam a mesa se fosse necessário, mas o pessoal da Gabi Som mandou superbem e nos proporcionou um som perfeito!
Enfim... subimos de supetão ao palco por volta das 21:30h. Mas a produção do Purple queria a banda de abertura às 21h no palco. Falta de comunicação entre as produções. “no problem, estamos abrindo o Purple, cara!” Nem deu tempo de ficar nervoso e já estávamos frente a milhares de pessoas gritando “Purple, Purple”... Ser banda de abertura não é fácil, pois ninguém comprou ingresso para te ver, aliás, eles querem é que você saia logo do palco para que a banda principal comece. Hehehehe... Muita adrenalina.
Mesmo na correria total, tocamos. E foi “duka”... casa lotada, um puta som, a gente se divertiu muito e a galera curtiu. Verdade, a galera curtiu, mesmo sob algumas vaias e xingamentos, a maioria da galera aplaudiu muito. Sempre existe aquela preocupação em abrir uma banda internacional e ainda do nível do Deep Purple. Será que a galera vai nos “atacara”? Hehehehe... Nos ensaios até treinamos desviar de garrafas e copos plásticos, mas nem foi preciso lá na apresentação surreal deste primeiro show. Mas deu “tudo certo”, o Bill, também produtor do Lagunna, conseguiu chegar depois de algumas horas preso no trânsito, meu primo Gu também...
Alguns dos nossos convidados nos desfalcaram, que pena, mas não faltarão oportunidades!
Foi muito bom mesmo. E o melhor de tudo, depois ainda tivemos o privilégio de conferir o show inteiro do Purple de onde quiséssemos. E assim o fizemos. Palco, camarote, pista. Como eles são f*#@... Impressionante, toda vez que vejo o Purple tocando fico de boca aberta, abismado com sua precisão, presença de palco, som perfeito, ordem das músicas perfeita... Tudo maravilhoso como uma das maiores bandas de rock do mundo deve ser! “E estamos abrindo o Purple, cara!”
Surreal, as coisas passam rápido demais, não dá pra lembrar de tudo.
Sei que tocamos Band on the run, Campos de morango, Nada a dizer e Ninguém empurra a vida por você. Não conseguimos tocar mais por causa do atraso. Mas valeu muito a pena. É ótimo ganhar tamanha experiência depois de uma apresentação dessas. Ah, tivemos a a participação do grande Renato Zanuto nos teclados, o mesmo amigo que gravou piano e órgão no disco Intro, tocou com o Andréas Kisser e muitas outras grandes bandas. Valeu, Renatão!
A Clarisse fez o que podia para resolver as coisas, a Ana ajudou muito, o Pezão deu aquela força de sempre e a Patrícia Kisser... Não tenho nem palavras... essa mulher “apavora!” Agora que está com a gente na parte de marketing e empresariamento., as coisas já mudaram para muuuuuuuuito melhor! Hehehehehehehe...
Bom, fica agora o desejo para que o show de quarta seja ainda melhor, que o ar condicionado da casa esteja funcionando e que os “Monstros” do Deep Purple consigam nos receber no camarim após o show. Pra quem estará no show ou para quem vai acompanhar à distância, por favor mande os bons fluídos ao Lagunna e receba nossa imensa gratidão por fazer parte dessa história tão bacana.
Um abração, boa sorte e muito sucesso a todos nós,
Ivan Volpe
www.lagunna.com.br