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Uma letra que compus para um novo som:
Para aqueles que governam o mundo - Compaixão
Para aqueles que se envolvem em tudo - Direção
Para aqueles que acreditam na guerra - Pra vencer
Para aqueles que esqueceram a Terra pode tremer...
Carro bomba que explode prédio e civil
Atentado terrorista contra o povo do Brasil
Quanto vamos aceitar nossa prostituição?
Como podemos ainda nos chamar de nação ?
Para aqueles que plantaram e plantam - Proteção
Para aqueles que queimaram a vida - Punição
Para aqueles que saíram às ruas - Mais poder
Para aqueles que se iludem e não conseguem ver...
Um político que rouba é eleito outra vez
Uma taxa do governo é lei que ninguém fez
E a gente ainda paga pra não ter nem um lar
E a gente ainda aceita essa merda sem lutar
Para aqueles que praticam censura - Pra esconder
A tarifa, a fila, a morte e a tortura - Pra vender
Para aqueles que nos ditam as regras - Podem ver
Que esse povo já está farto de tanto se foder!
Para aqueles que governam o mundo - Tentem ver
Que um dia todos vocês também - Vão morrer
E nós então daremos as mãos - Só pra dizer
Chega de imbecis corruptos e sujos no poder!
Ivan Volpe
Poxa, vocês não imaginam como é legal ouvir tantos elogios após um show tão emocionante e de tamanha importância para nós! E a gente estava esperando uma reação bem agressiva da galera! Hehehehehehe... Até ensaiamos desviar das garrafas enquanto tocávamos! Abrir o Deep Purple, uma das maiores bandas do mundo, que desde 1968 vem conquistando gerações de fãs de várias nacionalidades... É uma coisa maluca, indescritível e que nos deixa até sem palavras...
Na verdade, o Lagunna já abriu o Deep Purple em 2003 no Claro Hall (RJ) mas esses dois shows no Tom Brasil foram muito mais "surreais". Tanto que, no camarim, Roger Glover, Steve Morse e Don Airey nos elogiaram muito, falaram sobre cada um de nós no palco e gostaram muito de nossa performance. Isso é indescritível, a sensação de ouvir palavras tão motivadoras de grandes ícones do rock mundial.
Agradeço a todos que nos mandaram mensagens após o show (e foram muitas, que bom!) e que passam a acompanhar a banda. Aos que já acompanham o Lagunna desde sempre, o nosso muito obrigado, valeu pela força indescritível e vamos construindo essa história juntos!
Muito sucesso a todos,
Ivan Volpe
www.lagunna.com.br
http://ivanvolpe.blog.terra.com.br
Lagunnas com Steve Morse (acima) e com Roger Glover (abaixo)
(acima) Na ordem: Clarisse, Renatão, Don Airey, Nani, Gabriel, Bill e Eric
Fotos by Raul
Renato Zanuto é um "excelentíssíssimo" músico que desde o disco Laguna ao Vivo, nos empresta todo seu talento para rechear de melodias "tecladísticas", "pianísticas" e "Hammondianas" o nosso som. Amigo desde a época do colégio, o Renatão já tocou comigo e com o Léo em bandas anteriores, como a "Seven Boys", que até se apresentou no baile dos anos 60 do colégio Singular de Santo André, num Aramaçan lotado com mais de 3.000 pessoas. Pois é, desde o início do Lagunna (até antes do segundo N), o Renatão já é um parceiro, gravou os teclados do Intro em BH com a gente, tocou com Andreas Kisser e ainda acha tempo para nos acompanhar ao Tom Brasil na abertura do Deep Purple. Na verdade ele quase chorou com a notícia! Hehehehehe... Fã como ele... Bom, é isso. Aqui segue sua visão de como foi o "acontecimento". Espero que apreciem a leitura...
HAMMOND ATRAVESSA DÉCADAS E UNE GERAÇÕES - por Renato Zanuto
Dias 28 e 29 de dezembro, os ingleses do Deep Purple se apresentaram em São Paulo, no Tom Brasil Nações Unidas, tendo a abertura da banda paulista Lagunna que, para minha felicidade, me convidou a acompanhá-los no palco.
Considerados por muitos como criadores do heavy metal e do hard rock, junto com as bandas Led Zeppelin e Black Sabath, os “sessentões” do Deep Purple mostraram porque são lendas vivas e que ainda têm muito para mostrar.
Durante nossa passagem de som, chegou tranqüilamente ao palco, o atual tecladista do Deep Purple, Don Airey. Ele trabalhou com muitos ícones do rock como: Bruce Dickinson, Bryan May, Whitesnake, Jethro Tull, Black Sabbath e, só para citar um de seus marcos, compôs a introdução do clássico Mr. Crowley de Ozzy Osbourne.
Assim que toquei as primeiras notas do meu Hammond, Don Airey me chamou para conversar. Confesso que tremi um pouco, pela admiração e respeito que tenho por esse grande mestre, mas mesmo assim fui até ele, claro!
Com extrema simpatia e educação, perguntou meu nome e qual setup eu estava utilizando. Contei que estava com um Hammond XK-2 com uma Leslie 2101, e um sintetizador VA. Não satisfeito, ele quis ver de perto e ainda disse que assim que eu terminasse o sound check, era para eu dar uma olhada nos teclados que ele usaria no show. Continuando a passagem com o Lagunna e eu já não via a hora de continuar nossa conversa. Coisa de fã.
Em seguida, lá estava eu, diante do setup dos sonhos de muitos tecladistas. Entre diversas “jóias” destacavam-se um Hammond C3 de 1963, duas Leslies 184 cabinet e um Moog Voyager. O som que vinha daquela combinação, era realmente indescritível. O que mais me surpreendeu foi quando ele me convidou a tocar no C3, que o acompanha há mais de 20 anos e que estava cheio de marcas na madeira, resultado de muitos shows e viagens. Respirei fundo, pedi licença e toquei um trecho de Burn. Clima de camaradagem total. Conversamos e tocamos durante uns 30 minutos.
Quando perguntei o que ele achava de Jimmy Smith, ele respondeu emocionado “o maior musico que já vi tocando Hammond foi o Jimmy, embora o John Lord também seja impressionante.” Concordei plenamente e fiquei muito admirado com o elogio ao John Lord, pois já vi tantos músicos desmerecerem colegas e presenciar tamanha humildade me fez refletir.
Tivemos o privilégio de usar o PA e o Side Fill do Deep Purple. O resultado foi o melhor som de palco que já ouvi. A Leslie 2101 respondeu de forma precisa, e confirmou definitivamente ser a combinação perfeita para o Hammond.
Showtime. O Lagunna superou as expectativas. Encaramos de frente o exigente público e já na primeira música conseguimos impor uma presença de palco forte levantando as mais de 4.000 pessoas ao som de “Helter Skelter” dos Beatles. Tocamos também diversas composições próprias e o público foi muito receptivo com a enérgica performance do vocalista Ivan Volpe e com os precisos solos do guitarrista Nani Lima.
Após os shows, inevitavelmente, fomos tomar uma cerveja com Don Airey, Steve Morse e Roger Glover. Do backstage, eles assistiram às duas apresentações da banda e para euforia geral, elogiaram bastante o trabalho. Nesse natal não vou nem pedir presente pro Papai Noel!
Renato Zanuto é diretor musical, organista e pianista. Trabalhou com Andreas Kisser, Fernanda Fróes, Lagunna, além de seu trabalho instrumental Zanuto Experimental Group.
renatozanuto@hotmail.com
www.lagunna.com.br
www.hammond.com.br