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A gente conhece uma pessoa e acaba nem se lembrando quando, pois o tempo é um escritor em férias que não consegue parar de criar suas crônicas, mas já não tem data de fechamento. De repente aquela pessoa começa a fazer parte da sua vida, tanto que as datas se perdem entre as suas. O convívio diário cria intimidade, a gente se conhece, se diverte, briga, se atura, se emociona... E, sem nem pensar no sentido da palavra em si, já são grandes os AMIGOS, aqueles de verdade, que nem a distância nem o tempo conseguem separar. Mas, por descuido involuntário, lapso de atenção ou desvio do próprio caminho, o contato vai se perdendo, vai afastando as palavras, retirando suavemente a rotina. Ambos conhecem novas pessoas, novos colegas, novos namoros. As responsabilidades aumentam e mal sobra tempo para fazer o que se gostaria, se encontrar com aquela pessoa que tanto faz falta, tanto faz sentido, tanto faz valer cada momento distante. Mas tudo isso não faz mal, fora a saudade (que na verdade não tem contra-indicação), ainda sobram as lembranças. Elas sorriem por si e nos despertam a alegria de saber que está tudo bem e tudo melhorando a cada dia. E quem sabe em um deles, caminhando entre as folhas marcadas deste álbum de fotografias, poderemos nos encontrar e brincar como fazíamos antes, desfrutando a mesma amizade plena, sem compromisso, na esperança de podermos nos ver pessoalmente num futuro que ainda nem existiu.
Mais uma de amor (mal amado)
Tantas buscas, tantos anseios e devaneios sobre o Amor. E quando menos se espera, ou mais, ele teima em acabar, deixar vazio o peito e buscar conforto na solidão, e esta sim, que talvez seja a nossa melhor amiga.
Me perdi em tantos amores que hoje nem sei mais o que é ser romântico. Chutei o balde, gritei e me descabelei ao vento, na tentativa de extrair das paredes íntimas o que ainda resta de paixão e calor. Suei frio e me vi vencido, jogado na verdadeira fossa do quarto, procurando, em vão, os resquícios de felicidade que poderiam estar aguardando meu ansioso toque pelas migalhas de poeira do tapete.
E só pude mesmo acordar no sonho, encontrando os olhos que sempre vi ali, longe, na clareza embaçada de uma nuvem que aguarda o sinal para derramar as gotas de saudade forte, de alguém que ainda nem conheci. Ela está lá, a perfeição para mim! Me esforço para alcança-la, tocar suas mãos e ser guiado ao mundo completo de dois amantes, confidentes e eternos parceiros. Corri para chegar até aquela imagem graciosa, ouvindo a voz que, cantando palavras indecifráveis na suavidade do alem, ia desaparecendo por completo de minha vista. Não, não vá ainda, não se perca de minha visão!
Do mesmo jeito que veio, se foi por completo, deixando o perfume que trará lembranças de relance, quando estiver caminhando na rua ou no shopping, passando por tantas outras perfeições potenciais de minha vida como casal, atraindo minha atenção em direção ao ar proibido das paixões que se foram voando, junto com a adolescência desbotada em uma foto antiga. E então ao sentir tal perfume, poderei fazer uso das memórias que ficarão deste sonho, seus olhos, ah, que olhos... a voz, a doçura, tudo vai se apagando para a realidade de estar acordado, junto ao tapete ainda escurecido pelas gotas úmidas.
E não adiantam os sonhos pelo Amor, não adiantam as mágoas retraídas, nem nada, estarei sempre buscando alguém, sempre idealizando uma forma de estar completo e acompanhado, enquanto a única coisa que realmente me fará ser e ter o todo que me aguarda, é a imensidão interna de mim mesmo, o que há dentro e não fora para ser procurado, almejado. O par ideal talvez esteja mais perto do que eu pensava...
Só assim encontro forças para retomar a postura, enxugar o rosto e encarar a estrada que se transforma à frente. Me despeço de mais um Amor, mais uma história se foi. E mesmo que estas sejam as palavras de um grande entendedor do Amor real, me recuso a acreditar que o sonho acabou.
Uma letra que compus para um novo som:
Para aqueles que governam o mundo - Compaixão
Para aqueles que se envolvem em tudo - Direção
Para aqueles que acreditam na guerra - Pra vencer
Para aqueles que esqueceram a Terra pode tremer...
Carro bomba que explode prédio e civil
Atentado terrorista contra o povo do Brasil
Quanto vamos aceitar nossa prostituição?
Como podemos ainda nos chamar de nação ?
Para aqueles que plantaram e plantam - Proteção
Para aqueles que queimaram a vida - Punição
Para aqueles que saíram às ruas - Mais poder
Para aqueles que se iludem e não conseguem ver...
Um político que rouba é eleito outra vez
Uma taxa do governo é lei que ninguém fez
E a gente ainda paga pra não ter nem um lar
E a gente ainda aceita essa merda sem lutar
Para aqueles que praticam censura - Pra esconder
A tarifa, a fila, a morte e a tortura - Pra vender
Para aqueles que nos ditam as regras - Podem ver
Que esse povo já está farto de tanto se foder!
Para aqueles que governam o mundo - Tentem ver
Que um dia todos vocês também - Vão morrer
E nós então daremos as mãos - Só pra dizer
Chega de imbecis corruptos e sujos no poder!
Ivan Volpe