Ivan Volpe - LAGUNNA

Este é o meu blog! Aqui vou postar todo e qualquer assunto, artigo, texto e foto que me parecer interessante para o momento, bem como os sentimentos, as letras e músicas da minha vida... Pelo menos assim espero... Visite também: www.lagunna.com.br

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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2008

14.05.08

Voltar a ser...

categorias: contos e crônicas
O que falta para voltarmos a ser crianças?

E pararmos de nos preocupar tanto com coisas absurdas e sem sentido, com coisas que só passamos a nos preocupar depois de “crescidos”?

Quanto ainda falta para sairmos pela rua dançando, cantando, correndo... Sem pensar em quem vai notar, o que vão falar, quais as conseqüências... E que conseqüências tão evitadas por nós são essas?

O que é ser normal? Andar na mesma linha dos outros tantos bilhões, ter os mesmos desejos, acreditar nas mesmas coisas... Por que queremos o mesmo? Sempre o mesmo.

Nos vestimos da mesma forma, caminhamos da mesma forma, comemos o que os outros comem, pensamos o que tantos pensam que estão certos ao pensar. Quem é o louco da história? Com certeza Raulzito é o maluco no final, mas coitado, foi tão cedo... E em pouco tempo mudou tantos. Até um certo imortal, que um dia já foi diferente. Tudo por não ser normal.

Os Mutantes não, preferiram ser loucos e felizes, pensando ser deuses... E ainda estão vivos!

Talvez por serem eles mutantes. E será que não o somos todos?

E acreditamos fielmente em coisas como casamento, um bom emprego, estabilidade, fama, como se fossem a chave da felicidade. Será? Pode ser o caminho mais comum também. Mas será que a felicidade é comum a todos?

E se a felicidade estiver em seguir sem rumo, desvendando o futuro sem esperar por ele? Correr os riscos que surgirem, sem medo? O que nos impede de começar de novo após um erro? O que me impede de ser livre e feliz neste exato momento?

Talvez o que é “normal” seja exatamente o que tanto evitamos. O que nos impede de voltar a ser crianças - com tanta coisa pela frente, tantas brincadeiras cheias de aprendizado e alegria, sem barreiras, sem fim - talvez seja essa vontade de viver o mesmo que alguém viveu e disse ser feliz.

Falta acreditarmos que somos o que quisermos ser, sem limites. Somos o que sentimos.

E andamos sentindo muita velhice em nossos ossos, estamos cansados de ser idosos no coração. É hora de rejuvenescer.

É hora de lutar contra a normalidade das coisas e contra essa aceitação de padrões, explodir em vida, sendo o que fomos feitos para ser: eternas crianças.
  • criado por  ivanlagunna criado por ivanlagunna
  • Postado em 10:50:12

E se fosse hoje?

categorias: contos e crônicas
Vivemos a postergar nossas vidas para o amanhã, vivendo eternamente no passado e creditando nossos sucessos a um futuro que nunca existirá. Já partimos da idéia de que vencer e ser feliz é muito difícil e acabamos por nos apegar a crenças e ideologias de salvação. Mesmo assim, nos recusamos a ver que nossos atos presentes são a única coisa com a qual contamos.

Nunca está no hoje o destino de nossa caminhada humana, nunca está visível e palpável a nossa ruína ou triunfo.

Pensando que sempre deixamos nossas vitórias ou cataclismos apocalípticos no futuro, pergunto agora: E se fosse hoje?

E se fosse hoje que as geleiras derretessem e instantaneamente invadissem as cidades costeiras? Destruindo todo o nosso sistema econômico e levando milhares de pessoas?

E se fosse hoje que a última gota de petróleo tenha sido queimada, extinguindo toda a possibilidade de utilizarmos esta fonte de energia?

E se todos os alimentos estivessem HOJE contaminados pela enorme poluição do solo, da água e do ar? E se não pudéssemos mais contar com saúde, pois tudo o que está ao redor do nosso corpo é nocivo?

E se florestas inteiras estivessem completamente dizimadas HOJE?

Talvez o único ser a poder pensar num futuro melhor, se tudo isso fosse visto e sentido HOJE, seria a própria Terra, sabendo que em pouco tempo nenhum humano estaria em pé sobre ela e, logo, esta poderia começar a recompor-se em seu lento metabolismo de cura.

Se ao menos pudéssemos HOJE saber que somos todos parte de algo muito maior e único, que estamos intimamente ligados entre si, e cada ato, cada gesto, cada pensamento influi drasticamente neste todo...

Se ao menos HOJE, trouxéssemos para cá, para o presente, todas as aspirações do futuro, a felicidade, o sucesso... Se antecipássemos a sensação da morte para sabermos HOJE que nada disso que vemos ou tocamos é, em absoluto, real... E pudéssemos sentir Amor... Incondicional...

Quem sabe HOJE, seríamos toda a perfeição que um dia sonhamos e realmente acreditamos para o futuro.

E se fosse hoje que descobríssemos que não há o tempo, não há amanhã e que HOJE é a única ferramenta que dispomos em mãos? Talvez, quem sabe, nem precisaríamos indagar sobre o que fazer hoje.
  • criado por  ivanlagunna criado por ivanlagunna
  • Postado em 10:49:43

Perdas

categorias: contos e crônicas
Andava pela rua sempre procurando alguma coisa. Os óculos, a tarraxa do brinco, o isqueiro... Mesmo sem saber se tinha perdido algo, corria as mãos pelo corpo, bolsos e fechos da mochila atrás de indícios de uma possível perda.

Certa vez, ao entrar no ônibus, subindo os degraus apertando contra si a bolsa, a carteira ou qualquer outro objeto que carregava, escutou um sibilar de metal correndo pelo piso metálico do transporte público.

_ Meu deus, o que foi que eu deixei cair desta vez?

Correu os olhos pelo chão. Nada

Foi passando entre os apertos do coletivo no horário de pico, procurando qualquer coisa que pudesse dar indício de sua perda. Conseguiu sentar-se quando um jovem rapaz levantou para descer.

Ao lado, uma velha senhora sorria como que dizendo bom dia. Nem pôde notá-la, continuou a procurar por alguma coisa.

_ O que está procurando, meu bem? – perguntou a velhinha.

_ Na verdade não sei, mas senti que deixei cair alguma coisa por aqui.

_ Ah, eu vivia perdendo de tudo também, saía de casa e já deixava cair moedas, grampos de cabelo, relógio...

Tentou não dar muita trela para a senhora, ainda a correr os olhos desesperadamente por todos os cantos, mas a velhinha insistiu:

_ E não é que eu perdia tanto as coisas que me acostumei a perdê-las. Me perguntava a cada minuto: O que foi que eu perdi desta vez? O que deixei passar? O que deixei cair? E só pude entender há pouco tempo o que eu realmente perdi.

Não tolerando mais a impaciência naquela situação, deixou-se levar pela velha e virou-se, quase que agressivamente, perguntando: _ Me diga, senhora, o que você perdeu?

_ Perdi tempo. Procurando por coisas inúteis, que são feitas para cair dos bolsos mesmo, e lembrar-nos de abrir mão de tudo, pois agora, perto de meus últimos dias, reconheço que nada dessas pequenas coisas me acompanharão, nem serão lembranças de minha passagem por aqui. Mas você ainda é moça, terá tempo de perceber tudo isso.

Ficou em silêncio, procurando mais uma vez achar sentido para tudo aquilo que a senhora falava. Esqueceu-se por um instante do que tanto procurava e perdeu-se em pensamentos distantes.

_ Mas agora preciso ir, que não há mais tempo a perder – a velhinha continuou – de nada vale procurar a não ser seguir, aproveitando cada instante e cada perda, que elas nos façam lembrar que tudo acaba, tudo se vai, fica apenas o que de bom fizemos por aqui, e quanto mais, melhor.

A senhora despediu-se, levantou e desceu pelas escadas, andando em passos lentos, distanciando-se do ônibus enquanto tantos outros passageiros se amontoavam lá dentro. Uma garota sentou-se ao lado e pareceu apertar contra o peito a bolsa, evitando que algo caísse ou fosse roubado.

Mas a esta altura, já não fazia mais sentido procurar por algo que nunca seria achado.
  • criado por  ivanlagunna criado por ivanlagunna
  • Postado em 10:49:06