Ivan Volpe - LAGUNNA

Este é o meu blog! Aqui vou postar todo e qualquer assunto, artigo, texto e foto que me parecer interessante para o momento, bem como os sentimentos, as letras e músicas da minha vida... Pelo menos assim espero... Visite também: www.lagunna.com.br

Ivan Volpe - LAGUNNA

Este é o meu blog! Aqui vou postar todo e qualquer assunto, artigo, texto e foto que me parecer interessante para o momento, bem como os sentimentos, as letras e músicas da minha vida... Pelo menos assim espero... Visite também: www.lagunna.com.br
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Terra Blog

18.06.08

O Messias

categorias: contos e crônicas
Tanta espera, tanto anseio pelo tal Messias que não chega.

Mesmo depois de ler e reler as ilusões daquele autor que adorava gaivotas, mesmo depois de confundir meus desejos de busca pelo divino, ainda estou aqui, na mesma, esperando pelo messias.

Tentei seguir as palavras do mais famoso, que se permitiu à cruz criando o maior marketing da história humana (pelo menos da civilização atual). Em vão. Ele também estava brincando.

E pensar que todos estamos brincando...

Pelo menos foi o que Ele disse. Mas bem que podia ser só mais uma piada.

Enfim, caminhei por terras sagradas, chamei às margens de rios e lagos e... NADA.

Cadê a porra desse salvador? Esse guia que nos conduzirá ao paraíso?

Pois é, chego a pensar que paraíso nem existe. Como poderia existir se nossos pensamentos e sentimentos por aqui são tão infernais? Tantas guerras pessoais, dramas e sofrimentos desnecessários. Que paraíso resistiria a tanto medo?

E abandonei a busca, assim como abandonei a sensação de saber que TUDO faz parte dessa mesma história que escrevo, junto a você e a todos os outros que, como nós, ainda guardam no fundo das esperanças quase esgotadas, a fé de que encontraremos sim um messias e, ironicamente, veremos que seu rosto é um reflexo do nosso próprio.

Tá certo, preciso admitir, ainda não desisti!

  • criado por  ivanlagunna criado por ivanlagunna
  • Postado em 23:05:29

11.06.08

Carta de um defunto

categorias: contos e crônicas
E então morri...
Isso mesmo, passei para este lado de cá. E no final das contas, até que estou gostando muito.

Não há tanto o que fazer, não há muitos com quem conversar. É bem tranqüilo! Mas para falar a verdade, já estava de saco cheio da baderna aí da sua terra. Sem brincadeira.

Ah, sei lá... Muita confusão, muita injustiça, muito sofrimento. Era tudo tão difícil de conseguir, uma tortura poder se abrir com alguém, impossível manter um relacionamento saudável. Olha, estou bem melhor por aqui.

O que? Comida, dinheiro, carência? Deixei tudo por aí, jogado em alguma gaveta que alguém ainda há de encontrar e, se tiver coragem, publicar. Mas já não preciso de mais nada disso.

E fico pensando, muito tempo passei correndo atrás de tanta coisa que, olha só, nem lembro mais, nem me serve mais. Acho que a realidade é que não temos nada, não somos nada além de um amontoado de almas gritando por socorro e esperando que alguém, daqui desse lado, possa dar uma forcinha e guiar nossos passos. Pois bem, agora que estou aqui, espero não precisar guiar os passos de ninguém. Mesmo porque, imagina só o que eu acabaria fazendo com o coitadinho...

E o pior é que eu nem aprendi ainda a puxar o pé, às doze badaladas noturnas, de alguns colegas vivos. Será tão divertido... Posso até ver a cara deles! Olha lá... Aqui, é só imaginar e já se vê tudo... puxa, eram bacanas esses caras...

É, lembro de uma vez na praia, o Sol batendo no rosto, respingos das ondas nas canelas. Verão, cerveja, um violão... Puxa, já não posso sentir o Sol esquentar as bochechas e a orelha, queimando os ombros sem protetor - eu nunca me lembrava de passar o protetor, só quando já era tarde demais. Não sinto mais o vento levantar os pêlos do braço num arrepio, nem a água fria do mar nos pés, já se enterrando na areia. Que saudade!

A minha garota... Ainda sinto o coração pular para fora pela garganta e o estômago apertar, enquanto uma enorme descarga de adrenalina e serotonina correm pelo corpo todo ao vê-la passear, tirar a roupa... As sensações que só são possíveis quando se é vivo, quando se pode tocar, mesmo que em ilusão, um corpo, um piano... Ouvir o som e cantar junto enquanto se ri de todos e de tudo.

E pensar que para mim, isso acabou... Ah, não. Quem dera voltar, só um segundo, e poder dar uma baita gargalhada de todos vocês, buscando o que nunca irão achar, pois já o têm.

Mas acho que essa é a vida, e o fim dela. Isso mesmo, bem aqui, depois do fim, é que a gente percebe quão maravilhoso é respirar. E pronto. Não é preciso mais nada.

Bom, deixe-me ir que estão chamando lá de longe, é hora da aula dos recém chegados. Nem sei quanto tempo já passou desde que estou aqui. Tempo... Só por aí, querido. Aproveite, pois esse tempo é mesmo maluco e quando a gente menos espera tudo muda, tudo vira de cabeça para baixo. E, nesse fim do tempo para a vida, são poucas as coisas que trazemos pra cá. No meu caso, um par de chinelos, cueca, calça, camiseta e uma mala cheia de sentimentos que hei de perder por aí, enquanto for refazer meu caminho. Só se pode trazer para cá o que não se pode tocar ou ter.

Então, meu conselho: escolha bem as sua bagagem, ok? Mas tenha certeza de ter muito para trazer, pois é indiferente o que fica por aí, aquele monte de tranqueira. E até daqui muuuuito tempo.
  • criado por  ivanlagunna criado por ivanlagunna
  • Postado em 23:46:16

E então o tempo parou

categorias: contos e crônicas
Nada mais poderia ser notado, nem tocado. As gotas da chuva cristalizavam no ar frio de Sol brilhante. Eram agora pequenos diamantes, expostos a quem os quisesse roubar.

Mas ninguém poderia ouvir ou ver, que ali ao centro daquele breve entardecer, uma nova criança nascia, sofrendo para romper seu casulo protetor, chorando aos soluços, mas ainda sem dor.

Seus olhos puderam observar tudo, mesmo sem compreender os detalhes do mundo, somente a vastidão de toda a grandeza empírica que carregava consigo por toda a viagem.

E tudo o que ela sentia, impresso em sua agonia, era voltar de onde vinha, ser como era antes de explorar este novo adiante. Por que seguir entre tanto frenesi, tanta vergonha, tantos abusos? Para que passar mais uma vez por tudo isso e retornar talvez ileso ou continuar assim, indeciso?

Os ponteiros ameaçaram mover-se, o som voltou a tocar num crescendo de outros choros e lamentos, era certo que iria acordar.

E logo ali, mesmo depois de tanto que vi, sentindo carinho, proteção dos amigos... Mesmo assim, ainda que sozinho, prefiro o que antes senti, quando era puro e não compreendia nada disso tudo, quando era tão sábio quanto o universo e me era fácil lembrar.

Que foi só um sonho.

Que acredito estar acordado, vivendo a realidade, quando na verdade, nem mesmo estou pensando. É só mais um sonho.

E aguardo correndo através da urgência, que o tempo pare novamente.
  • criado por  ivanlagunna criado por ivanlagunna
  • Postado em 23:45:37

14.05.08

Voltar a ser...

categorias: contos e crônicas
O que falta para voltarmos a ser crianças?

E pararmos de nos preocupar tanto com coisas absurdas e sem sentido, com coisas que só passamos a nos preocupar depois de “crescidos”?

Quanto ainda falta para sairmos pela rua dançando, cantando, correndo... Sem pensar em quem vai notar, o que vão falar, quais as conseqüências... E que conseqüências tão evitadas por nós são essas?

O que é ser normal? Andar na mesma linha dos outros tantos bilhões, ter os mesmos desejos, acreditar nas mesmas coisas... Por que queremos o mesmo? Sempre o mesmo.

Nos vestimos da mesma forma, caminhamos da mesma forma, comemos o que os outros comem, pensamos o que tantos pensam que estão certos ao pensar. Quem é o louco da história? Com certeza Raulzito é o maluco no final, mas coitado, foi tão cedo... E em pouco tempo mudou tantos. Até um certo imortal, que um dia já foi diferente. Tudo por não ser normal.

Os Mutantes não, preferiram ser loucos e felizes, pensando ser deuses... E ainda estão vivos!

Talvez por serem eles mutantes. E será que não o somos todos?

E acreditamos fielmente em coisas como casamento, um bom emprego, estabilidade, fama, como se fossem a chave da felicidade. Será? Pode ser o caminho mais comum também. Mas será que a felicidade é comum a todos?

E se a felicidade estiver em seguir sem rumo, desvendando o futuro sem esperar por ele? Correr os riscos que surgirem, sem medo? O que nos impede de começar de novo após um erro? O que me impede de ser livre e feliz neste exato momento?

Talvez o que é “normal” seja exatamente o que tanto evitamos. O que nos impede de voltar a ser crianças - com tanta coisa pela frente, tantas brincadeiras cheias de aprendizado e alegria, sem barreiras, sem fim - talvez seja essa vontade de viver o mesmo que alguém viveu e disse ser feliz.

Falta acreditarmos que somos o que quisermos ser, sem limites. Somos o que sentimos.

E andamos sentindo muita velhice em nossos ossos, estamos cansados de ser idosos no coração. É hora de rejuvenescer.

É hora de lutar contra a normalidade das coisas e contra essa aceitação de padrões, explodir em vida, sendo o que fomos feitos para ser: eternas crianças.
  • criado por  ivanlagunna criado por ivanlagunna
  • Postado em 10:50:12

E se fosse hoje?

categorias: contos e crônicas
Vivemos a postergar nossas vidas para o amanhã, vivendo eternamente no passado e creditando nossos sucessos a um futuro que nunca existirá. Já partimos da idéia de que vencer e ser feliz é muito difícil e acabamos por nos apegar a crenças e ideologias de salvação. Mesmo assim, nos recusamos a ver que nossos atos presentes são a única coisa com a qual contamos.

Nunca está no hoje o destino de nossa caminhada humana, nunca está visível e palpável a nossa ruína ou triunfo.

Pensando que sempre deixamos nossas vitórias ou cataclismos apocalípticos no futuro, pergunto agora: E se fosse hoje?

E se fosse hoje que as geleiras derretessem e instantaneamente invadissem as cidades costeiras? Destruindo todo o nosso sistema econômico e levando milhares de pessoas?

E se fosse hoje que a última gota de petróleo tenha sido queimada, extinguindo toda a possibilidade de utilizarmos esta fonte de energia?

E se todos os alimentos estivessem HOJE contaminados pela enorme poluição do solo, da água e do ar? E se não pudéssemos mais contar com saúde, pois tudo o que está ao redor do nosso corpo é nocivo?

E se florestas inteiras estivessem completamente dizimadas HOJE?

Talvez o único ser a poder pensar num futuro melhor, se tudo isso fosse visto e sentido HOJE, seria a própria Terra, sabendo que em pouco tempo nenhum humano estaria em pé sobre ela e, logo, esta poderia começar a recompor-se em seu lento metabolismo de cura.

Se ao menos pudéssemos HOJE saber que somos todos parte de algo muito maior e único, que estamos intimamente ligados entre si, e cada ato, cada gesto, cada pensamento influi drasticamente neste todo...

Se ao menos HOJE, trouxéssemos para cá, para o presente, todas as aspirações do futuro, a felicidade, o sucesso... Se antecipássemos a sensação da morte para sabermos HOJE que nada disso que vemos ou tocamos é, em absoluto, real... E pudéssemos sentir Amor... Incondicional...

Quem sabe HOJE, seríamos toda a perfeição que um dia sonhamos e realmente acreditamos para o futuro.

E se fosse hoje que descobríssemos que não há o tempo, não há amanhã e que HOJE é a única ferramenta que dispomos em mãos? Talvez, quem sabe, nem precisaríamos indagar sobre o que fazer hoje.
  • criado por  ivanlagunna criado por ivanlagunna
  • Postado em 10:49:43